Em mais uma decisão que reforça o rígido controle sobre a rotina de Jair Bolsonaro, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, voltou a vetar o contato entre o ex-presidente e o presidente de seu partido, Valdemar Costa Neto. A medida ocorre em uma semana crucial para as articulações das eleições de 2026, dificultando o alinhamento estratégico da direita.
Restrições ao Comando do Partido e “Puxão de Orelha” em Parlamentar
Moraes justificou a proibição alegando “risco manifesto” à investigação, mantendo Valdemar e Bolsonaro incomunicáveis sob o argumento de que ambos são investigados pelos mesmos fatos. A decisão, no entanto, é vista por aliados como um cerceamento da atividade política do PL.
Além de barrar o dirigente partidário, o ministro utilizou termos contundentes para negar o acesso do senador Magno Malta (PL-ES). No despacho, Moraes acusou o congressista de tentar uma “carteirada” para entrar na unidade prisional, usando o episódio como justificativa técnica para manter o impedimento, alegando riscos à “disciplina e segurança”.
Seletividade nas Visitas e Tensões Políticas
Enquanto veta figuras-chave da articulação política, como Valdemar e Malta, o ministro adotou uma postura de aparente concessão ao autorizar visitas de caráter estritamente pessoal ou de aliados com menor peso na coordenação eleitoral, como o deputado Hélio Lopes e o empresário Nabhan Garcia.
O rigor de Moraes incide diretamente sobre o calendário eleitoral. O veto ao presidente do PL acontece simultaneamente ao encontro de Bolsonaro com o governador Tarcísio de Freitas, em meio a discussões sobre a viabilidade de nomes para a sucessão presidencial. Ao controlar quem entra e quem sai da “Papudinha”, o magistrado acaba por influenciar o fluxo de informações e decisões dentro do maior partido de oposição.
Flexibilização sob Vigilância
Para atenuar o cenário de isolamento total, Moraes autorizou que Bolsonaro realize caminhadas fora de sua cela de 64 m², porém sob trajetos estritamente “predeterminados” pela PMDF. Na esfera religiosa, foi permitida a entrada de um terceiro assistente espiritual, o padre Paulo Silva, somando-se ao bispo e ao pastor que já tinham acesso liberado.
Mesmo com essas concessões, a manutenção da proibição de diálogo com a cúpula do partido reafirma a mão firme de Moraes sobre o ex-mandatário, mantendo-o sob uma tutela que vai além da execução penal e alcança a dinâmica política nacional.






