Dívida bruta do governo atinge 76,1% do PIB, segundo o Banco Central
As contas do setor público brasileiro voltaram a apresentar resultado negativo em maio, mês historicamente marcado por déficit nas finanças do Governo Central. Segundo dados divulgados nesta segunda-feira (30) pelo Banco Central (BC), o setor público consolidado — que reúne União, estados, municípios e estatais — registrou déficit primário de R$ 33,740 bilhões no mês passado.
Apesar do saldo negativo, o número representa uma melhora expressiva em relação a maio de 2024, quando o déficit foi de R$ 63,895 bilhões. Essa recuperação é atribuída principalmente à melhora nas contas do Governo Central, que engloba os resultados do Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social. De acordo com o BC, as receitas líquidas federais subiram 4,7% na comparação interanual, enquanto as despesas totais caíram 7,6%.
O déficit primário refere-se ao resultado das contas públicas antes do pagamento de juros da dívida. Ele é considerado um dos principais indicadores de saúde fiscal, pois reflete a capacidade do Estado de financiar suas atividades com receitas próprias.
Superávit no acumulado do ano
No acumulado de janeiro a maio de 2025, o setor público consolidado registra superávit primário de R$ 69,121 bilhões. Já no acumulado de 12 meses, encerrado em maio, o superávit chega a R$ 24,143 bilhões, o equivalente a 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2024, o ano foi encerrado com déficit de R$ 47,553 bilhões (0,4% do PIB), o que reforça a tendência de recuperação neste ano.
Detalhamento por esfera de governo
O Governo Central fechou maio com déficit de R$ 37,351 bilhões, valor inferior aos R$ 60,778 bilhões negativos registrados no mesmo mês do ano passado. O número difere do divulgado anteriormente pelo Tesouro Nacional (R$ 40,621 bilhões), pois o Banco Central adota metodologia distinta, baseada na variação do endividamento líquido dos entes públicos.
Os governos estaduais, por sua vez, registraram superávit de R$ 5,346 bilhões, bem acima dos R$ 559 milhões de maio de 2024. Já os municípios apresentaram déficit de R$ 808 milhões, melhorando em relação ao déficit de R$ 1,637 bilhão registrado no mesmo período do ano anterior.
Com esses resultados, os governos regionais — soma de estados e municípios — tiveram superávit conjunto de R$ 4,537 bilhões em maio, revertendo o déficit de R$ 1,078 bilhão observado no mesmo mês do ano anterior.
As empresas estatais, exceto Petrobras e Eletrobras, contribuíram negativamente, com déficit de R$ 926 milhões. Ainda assim, o resultado foi menos desfavorável do que em maio de 2024, quando o déficit foi de R$ 2,039 bilhões.
Juros da dívida e resultado nominal
As despesas com juros da dívida pública alcançaram R$ 92,145 bilhões em maio, um aumento de R$ 17,8 bilhões em relação aos R$ 74,361 bilhões de um ano antes. A alta reflete, entre outros fatores, os efeitos da taxa básica de juros (Selic) elevada e o crescimento do estoque da dívida pública.
Contudo, operações do Banco Central no mercado de câmbio — como os contratos de swap cambial — contribuíram para reduzir parte dessa pressão. Em maio deste ano, houve ganho de R$ 1,7 bilhão com essas operações, ante uma perda de R$ 7,7 bilhões em maio de 2024. Sem esse ganho, o aumento dos juros seria ainda mais expressivo, estimado em cerca de R$ 27,2 bilhões.
Considerando os juros, o chamado resultado nominal — que soma o saldo primário e os gastos com juros — ficou negativo em R$ 125,885 bilhões em maio, contra R$ 138,256 bilhões no mesmo mês de 2024. Em 12 meses, o déficit nominal acumulado é de R$ 922,004 bilhões, ou 7,58% do PIB.
Esse indicador é acompanhado de perto por agências de classificação de risco, que o utilizam como parâmetro para avaliar a solvência fiscal do país e orientar investidores.
Endividamento público
A dívida líquida do setor público — diferença entre o total de créditos e débitos dos governos — atingiu R$ 7,547 trilhões em maio, o equivalente a 62% do PIB. Esse é o segundo maior nível da série histórica, ficando atrás apenas de setembro de 2002, quando alcançou 62,45% do PIB. Em março deste ano, a proporção era de 61,5%.
Já a dívida bruta do governo geral (DBGG), que considera apenas os passivos dos entes federativos, alcançou R$ 9,264 trilhões, ou 76,1% do PIB, com leve aumento em relação aos 76% registrados em abril. Esse indicador é o principal parâmetro utilizado para comparações internacionais sobre sustentabilidade da dívida pública.





